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“Neuróticas, loucas, descontroladas”: Feminismo é doença?

Se assemelha ao nazismo ou é falta de sexo?

Aline Xavier - Publicado: 06/05/2016 18:02 | Atualizado: 06/05/2016 18:11
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– Neuróticas, loucas, descontroladas…

Mulheres, como eu, que assumem uma postura combativa em relação ao patriarcado são frequentemente taxadas de vários outros adjetivos que dão a entender que temos transtornos mentais.

Que o feminismo é uma doença grave que se espalha pelo ar ou pela picada de um mosquito qualquer. Que se assemelha ao nazismo, uma política ditatorial discriminatória e repleta de hostilidade, que matou milhões de pessoas. Que é falta de sexo – com homens, claro. “Quem disse que mulher pode ser lésbica?” Só consigo sentir pena (e às vezes raiva) de quem propaga esse tipo de ideia.

Feminismo é um conceito que somente quem compreende integralmente as dores de ser mulher numa sociedade feita por e para homens consegue ter empatia. Mulheres sabem o que é isso pela vivência. Os homens, se quisessem e tivessem sensibilidade para ao menos reconhecer os seus privilégios, poderiam ser ótimos aliados – porém nunca protagonistas da causa, pois não sentem o machismo na pele.

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Situações que envolvem sexismo e misoginia são comuns. Entretanto, eles possuem a liberdade de ser e fazer o que bem entenderem, sem serem julgados exclusivamente pelo sexo.

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Ser mulher é ter medo de andar em ruas mais desertas quando o sol vai embora, com receio de ser estuprada. É ser xingada e agredida na rua (inclusive fisicamente) por desconhecidos ao ignorar uma cantada escrota ou responde-la à altura. Estar vulnerável ao feminicídio e ver nos noticiários expressões ridículas como “crime passional”.

Ouvir que devo dar graças a Deus de conseguir alguém que me aceite “apesar de” ser gorda.

É ser cobrada pra ser uma dona de casa invejável, casar e resumir a existência a cuidar da casa e dos filhos (já ouviu falar em maternidade compulsória?). Ganhar trinta por cento a menos que os homens e ser assediada no trabalho, dos cargos elementares até os de nível universitário. É não poder exercer a minha liberdade sexual sem ser desmoralizada.

Ser cobrada para ter padrão de beleza irreal, muitas vezes colocando a própria saúde em risco para se enquadrar no que é visto como aceitável para conseguir um emprego, concorrer a uma promoção na empresa, dentre outras coisas.

Se existe algo que precisa ser tratado, é o machismo estrutural. A ideia de que ser do sexo masculino torna os homens superiores às mulheres. De que mulher “não é gente” e deve ser submissa aos caprichos do seu parceiro. De que as coisas sempre funcionaram (pra quem?) dessa forma, e assim deve permanecer.

O feminismo não é frescura, muito menos um distúrbio que precisa ser tratado.

É o machismo que adoece e mata mulheres todos os dias.

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Ex-concurseira olímpica. Psicóloga para os amigos, não sabe o que fazer com a própria vida. Apaixonada por ovelhas negras, com as quais comumente se identifica. Está se descobrindo aos poucos nos cursos de escrita e na terapia semanal. Escreve em alinexavier.me.
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