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O que é o “Golpe da Mandala” que promete te enriquecer com facilidade?

Saiba como identificar o golpe para não cair nessa cilada.

PH Araujo - Publicado: 13/02/2017 14:18 | Atualizado: 13/02/2017 16:40
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Os chamados “contos do vigário” sempre apresentaram maneiras simples de enriquecer, como a famosa história do cara que ganhou na loteria e vende o bilhete premiado por um valor mais baixo – mas na verdade o bilhete é falso.

Um novo “projeto de enriquecimento fácil” conhecido como Mandala da Prosperidade vem chamando a atenção da população. Para não cair nesse golpe, fomos entender melhor do que se trata e como funciona.

Como funciona o esquema

As pessoas já estão acostumadas como o golpe da pirâmide, mas esse esquema tem uma forma circular, maquiando a trapaça.

A mandala apresenta 15 lugares que são divididos em quatro elementos da natureza: Terra, Fogo, Ar e Água (só faltou o Coração para invocar o Capitão Planeta).

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São oito lugares para o elemento Fogo, quatro para o Ar, dois para a Terra e um para a Água.

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TV Diário, http://tvdiario.verdesmares.com.br/noticias/economia/mandala-financeira-economista-alerta-para-perigos-de-sistema-de-piramide-espalhado-pelo-whatsapp-1.1672567TV Diário

Você entra na mandala pela extremidade, chamada de Fogo. Para entrar, logicamente, precisa pagar. Detalhe importante: o dinheiro é depositado na conta bancária de um dos golpistas.

Quem te atrai para o esquema são as pessoas que estão no elemento Ar. Cada um precisa trazer pelo menos duas ovelhas para o “abatedouro”.

As duas que estão no elemento Terra são as “guias”. Espécie de manda-chuva do grupo. As pessoas que estão nesse elemento têm o dever de manter as demais animadas com a Mandala e também ajudam no recrutamento.

Já a pessoa de Água, no centro do mandala, recebe a grana que foi paga pelas oito que estão no elemento Fogo.

O ciclo chega ao fim. Essa mandala se divide em duas e as pessoas que estavam no elemento Terra vão para a Água, os que estavam no Ar vão para a Terra e os que estavam no Fogo vão para o Ar.

Agora é necessário achar mais dezesseis pessoas para também entrarem nas duas novas mandalas e, no caso, bancarem a brincadeira.

Para você receber seu investimento, mais vinte e quatro pessoas devem entrar em sua mandala. Se pensarmos que ocorrerão divisões e divisões, a mandala em que você começou abriu mais quatorze braços, totalizando a entrada de 112 pessoas que pagaram o pato.

Como o golpe começou

A Mandala de Prosperidade já causou prejuízos a pessoas dos EUA e de vários países da América Latina. Mas, apesar da nova roupagem, dá pra desconfiar do esquema.

Aí entrou a segunda engenhosidade. A Mandala da Prosperidade “não é apenas uma maneira de ganhar dinheiro, mas, sim, um grupo que ajudará você a melhorar sua vida em todos os sentidos”.

Uma reportagem publicada pela VICE mostrou como o esquema funcionava no México, um dos prováveis berços da Mandala da Prosperidade.

Inicialmente, a ideia era atrair mulheres e criar um grupo que se ajudaria, dando apoio psicológico, espiritual e, finalmente, financeiro.

Sendo assim, uma moça que tinha uma vida pacata e, muitas vezes, dura, é seduzida a fazer parte de um círculo social e ainda tirar uma boa grana.

A filosofia prega a evolução espiritual e empoderamento feminino. Enquanto a pessoa iria subindo nas escalas de elementos da mandala, ela se fortaleceria como ser humano em busca de equilíbrio.

E para mostrar que o esquema era “real”, as mulheres atraíam novas ovelhas usando festas de entrega de dinheiro para mulheres que estavam no elemento água.

Site for my Car, http://www.siteformycar.com/tag/money/Site for my Car

Assim, o esquema seguia. As novas mulheres do elemento fogo eram recompensadas com atenção e novas “amizades”. A moça que ascendeu ao elemento Ar teria a obrigação de sempre estar online do Whatsapp e ainda deveria enviar mensagens de ânimo, emoticons felizes e citações do Paulo Coelho (isso não é brincadeira).

A Mandala da Prosperidade virou uma febre no México. Começaram com grupos de amigas, só que depois não havia mais quem chamar. As instruções eram para que elas convencessem qualquer pessoa. As mulheres se transformaram em uma espécie de call center do esquema.

Logo, o golpe foi chegando a outros bairros, cidades, estados e países. E, quando tudo se transformou em uma gigantesca fortuna, os donos do esquema sumiram com a grana.

É crime

O inciso IX do artigo 2º da Lei número 1521 de 1951 diz que é crime contra economia popular “obter ou tentar obter ganhos ilícitos em detrimento do povo ou de número indeterminado de pessoas mediante especulações ou processos fraudulentos (“bola de neve”, “cadeias”, “pichardismo” e quaisquer outros equivalentes)”, cuja pena, além do pagamento de multa, rende prisão de seis meses a dois anos.

As chamadas cadeias na época são, hoje em dia, as pirâmides. Se você, pessoa que sofreu o golpe, chamar outras pessoas para a mandala, você também estará cometendo crime, já que induz outros a entrar em uma fraude.

O Ministério Público de algumas cidades abriu inquérito para pegar os golpistas. Segundo o jornal Diário da Região, o MP de São José do Rio Preto buscava, em dezembro de 2016, indiciar todos (organizadores e participantes) por crime contra economia popular.

Segundo reportagens da Rede Globo, esse golpe já causou prejuízos a pessoas no Acre, Minas Gerais e Rio Grande do Norte. Um exemplo foi um grupo de amigos do Whatsapp, cerca de 300 pessoas, que perderam mais de R$200 mil no golpe.

A intenção é enganar

A falcatrua é tão grande que os golpistas até criaram uma matéria falsa para legitimar a mandala. Exposta pelo portal Itaberaba Notícias, eles divulgavam uma imagem do portal G1 em que a manchete dizia que o “sistema” estava legalizado e já era considerado renda extra.

Itaberaba Notícia, http://itaberabanoticia.com.br/golpe-da-mandala-membros-criam-montagem-com-materia-falsa-sobre-legalizacao-do-esquema-fraudulentoItaberaba Notícia

Divulgando no Whatsapp, eles esperavam que as pessoas não averiguassem a veracidade da postagem.

Entretanto, cometeram um erro grotesco de português, escreveram “FREBE” ao invés de “FEBRE” na manchete. O autor da matéria no G1, o repórter Caio Fulgêncio, foi alertado, viu a montagem tosca e denunciou a farsa em sua rede social.

Fonte(s): Youtube - S.G. Savle, Diário da Região, Itaberaba Notícias, Vice


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Jornalista, fã de bandas de Seattle e filmes de terror B. Acredita que a vida perfeita teria cachoeiras, boas refeições, música de qualidade, aventuras, mulheres e sonecas ao longo do dia.
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