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3 Formas de mudar o mundo: desacelere, desacelere e desacelere

Devagar se vai ao longe. Conheça o ‘Movimento Slow’ e revolucione o mundo.

Roberta Nader - Publicado: 31/05/2016 16:06 | Atualizado: 08/06/2016 20:43
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Você conhece o Movimento Slow?

Slow significa lento em inglês, e esse movimento surgiu exatamente como uma reação a velocidade absurda do mundo de hoje, onde tudo é rápido e descartável.

Vyacheslav Mishchenko, http://www.vmishchenko.com/#gallery-SnailsVyacheslav Mishchenko

Por isso hoje eu vou apresentar três formas de se posicionar (ou se reposicionar) na vida, propostas pelo Movimento Slow. Até parece novidade, mas essas três propostas consistem em nada mais do que retomar hábitos que já tínhamos e que fomos perdendo graças a massificação dos novos tempos.

Tente praticá-los, e perceba o que muda dentro de você!

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1. Comer com mais calma

Tudo começou com o Slow Food (tradução livre, comida lenta), que veio em resposta ao Fast Food (comida rápida). As cadeias de restaurantes desse tipo de “comida rápida”, nascidas nos Estados Unidos, caíram como uma luva numa sociedade ultra consumista e ultra acelerada.

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As pessoas engolem rápido qualquer porcaria e voltam a trabalhar. Mas isso está tendo um custo alto para nossa saúde e para nossa mente. O Slow Food busca o retorno ao ato sublime que é comer. Comer devagar, apreciando os sabores, apreciando os temperos, apreciando a companhia. Mais do que isso, ele prega que os alimentos sejam livres de venenos e remunerem de maneira justa os produtores.

A indústria de alimentos é a que mais lucra no mundo, e é também a que mais destrói o meio ambiente. Retornarmos aos alimentos colhidos em pequenas propriedades, reaprendermos a cozinhar em casa ou apreciar um restaurante de comida artesanal é o que ensina esse movimento.

Vyacheslav Mishchenko, http://www.vmishchenko.com/#gallery-SnailsVyacheslav Mishchenko

2. Desacelerar o consumo

Nesse mesmo caminho nasceu o Slow Fashion (em tradução livre, moda lenta), em resposta ao fast fashion (moda rápida) das grandes cadeias de roupa. Os lucros absurdos e a velocidade que essas lojas precisam suprir as prateleiras geram uma indústria com condições desumanas de trabalho, seja nas fábricas made in China ou made in Taiwan, seja nos porões do Bom Retiro em SP.

As qualidades das peças são duvidosas e os produtos químicos usados estão matando os rios (e não é só roupa barata não, Dior e Versace são bem assim também, só os lucros que quadruplicam). Na contramão, alguns estilistas estão criando marcas que retomam a delicadeza das peças: feitas a mão por costureiras com boas condições de trabalho, com materiais sustentáveis e leves, sem produtos químicos e, principalmente, com muito mais qualidade e amor.

Aí você diz, “ok, mas deve custar bem mais caro”. Depende, porque aí é que está a jogada: o movimento Slow vem sempre acompanhado da palavra menos. Ao invés de você comprar 15 peças da modinha, você compra 3 peças reais, que te representam e que duram 5 vezes mais tempo (diminuindo ainda a quantidade de lixo no mundo). Consumo é uma coisa, consumismo é outra.

Vyacheslav Mishchenko, http://www.vmishchenko.com/#gallery-SnailsVyacheslav Mishchenko

3. Viajar com mais delicadeza

Por falar na palavra menos, foi dela que nasceu o Slow Travel (em tradução livre, viagem lenta). Tem uma frase famosa sobre Nova Iorque, mas que pode ser aplicada a qualquer grande cidade do mundo. “ Você pode conhecer NY em 3 dias, mas não consegue conhecer em 3 anos”. E é verdade.

Um dos grandes baratos de viajar é se perder nos lugares, encontrar cantinhos escondidos, conhecer pessoas diferentes. Mas em certo momento parece que todo mundo começou a fazer contabilidade de países visitados. “Eu já estive em 43 países”. “Eu passei 8 dias na Europa e fiz Barcelona, Madri, Paris, Londres, Berlim e Amsterdam”. Uau, mas você realmente conheceu esses lugares?

Tem umas agências de viagem que vendem coisas do tipo: “10 dias no Sudeste Asiático”. Mano, o sudeste asiático é praticamente um continente com 11 países! Como você vai conhecer tudo em 10 dias? Isso sem falar o quanto esse tipo de “McViagem” é prejudicial para os lugares e para as populações.

O Slow travel prega viajar com mais delicadeza, respeitando a cultura e o povo do local. Escolhendo comércios e hotéis administrados pelos habitantes do lugar. Além disso, as cidades precisam de tempo para serem exploradas, caminhando lentamente pelas ruelas e se perdendo em cafés… E se for uma viagem de natureza então, nem se fala: é com o tempo que percebemos as plantas e os animais presentes em uma trilha ou a delícia que é estar sob uma cachoeira.

No slow travel você vai com uma mala mais leve e volta com mais histórias.

Vyacheslav Mishchenko, http://www.vmishchenko.com/#gallery-SnailsVyacheslav Mishchenko

Os movimentos Slow vieram pra dizer “Ei galera, pra quê tudo isso…? Vamos desacelerar”.

Eu não preciso, todo dia, sair correndo pro trabalho e passar no drive thru pra comer qualquer coisa no caminho. Eu não preciso comprar 30 peças de roupa para estar sempre na última modinha da estação, da sub estação, enquanto eu posso comprar uma peça feita com qualidade e amor e que me representa verdadeiramente. Eu não preciso provar pra todo mundo que eu conheci 39 países, enquanto eu posso voltar com histórias incríveis de uma cidadezinha no Sul do Pará.

Vyacheslav Mishchenko, http://www.vmishchenko.com/#gallery-SnailsVyacheslav Mishchenko

Do jeito que o mundo tá, arriscar andar mais devagar é um ato revolucionário, e talvez este seja o momento perfeito para revolucionarmos um pouquinho, o que acha?



Destaques do Alô, Alô? Testando!

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Ativista pra mudar o mundo. Roteirista, cronista, editora, observadora de bichos e plantas, mergulhadora, leitora compulsiva. Viajante dos mundos: o nosso e o meu. mais em: robertanader.com
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